Ex-treinador do Uberlândia, Henrique Pereira reflete sobre os impactos do distanciamento na mentalidade dos jogadores de base

24 Jun 2020

Henrique Pereira grande treinador, já trabalhou em várias equipes do Futebol Brasileiro

(Foto: João Eduardo Jornalista e Assessor de Imprensa)

 

 

O distanciamento social em razão da pandemia do novo coronavírus, vem trazendo consequências para o mundo do futebol, tanto no profissional quanto nas categorias abaixo. Enquanto o debate para o retorno da elite segue em alta, pouco se discute o que vai acontecer com as categorias de base no Brasil e os milhares de atletas que estão perdendo oportunidades e sendo dispensados por vários times para conter gastos.

 

Dito isso, Henrique Pereira, ex-treinador do Sub-15 do Uberlândia e auxiliar técnico do sub-20 e com passagens por Ferroviário-MG (sub-15), Frigoarnaldo-MG (sub-14 e sub 13), Riachinho-MG (sub-15) e nos sub-20 e profissional do Desportivo Brasil-SP, comentou sobre esse momento delicado em que vivem os jovens jogadores brasileiros, não sabendo ao certo quando voltarão a entrar em campo.

 

 

“Não se sabe exatamente como e nem quando vai acabar essa situação, porém, certamente haverá um impacto na vida de todos, por consequência, a carreira também será afetada de alguma forma. Todo o impacto negativo sobre o jogador pode ser minimizado a partir de ações inteligentes e criativas, que possibilitem a melhor preparação possível diante desse quadro caótico que estamos vivendo.”

 

Henrique ainda destacou como essa pausa influenciará não somente na questão física dos atletas, mas principalmente na parte mental dos jovens jogadores brasileiros.

 

“A preocupação com o amanhã se chama ansiedade. Todos estamos sujeitos a ela caso não nos concentremos no dia de hoje! O nosso tempo é o hoje! Não é o ontem e nem o amanhã. O impacto nas capacidades físicas e cognitivas vai acontecer em função do destreinamento oriundo deste grande tempo de inatividade, mas cada um vai responder de uma forma diferente em função do princípio da individualidade biológica. O mais importante, na minha visão, é fortalecer a mente e cuidar-se de modo integral: corpo, alma e espírito; mantendo sua força mental elevada, afinal, a mente domina o corpo (pelo menos deveria).

 

Especialista em futebol pela Universidade Federal de Viçosa, o treinador também comentou sobre a questão envolvendo o ritmo de jogo e questões táticas, uma vez que, uma vez que, diante do inevitável processo de destreinamento e perda de performance, haverá uma grande necessidade de readaptação competitiva, tanto em nível individual quanto coletiva.

 

“Cada um vai responder de uma forma diferente. É o princípio da individualidade biológica. No entanto, é fato que "aquilo que não se treina, se esquece" - e esse é o princípio da continuidade/reversibilidade. Essa velocidade de perda de capacidades e competências vai depender de como as mesmas foram adquiridas. O princípio da reversibilidade também diz que "o que se adquire mais rapidamente, quando não houver estímulo, será perdido rapidamente. O que se adquiriu mais lentamente, também demorará mais para ser perdido em função do destreinamento". 

 

Sendo gerente de futebol da rede Next Academy no Brasil, Henrique vem lidando com jovens atletas entre 13 e 21 anos com certa frequência. O treinador também falou sobre como toda essa paralisação do futebol de base pode ser algo prejudicial na formação dos jogadores no futuro.

 

“Tudo que influencia o processo de treinamento ou promove destreinamento impactará no processo formativo. Só que é preciso considerar que talvez, tudo isso que está acontecendo com o mundo nos ensine, de alguma forma, o que pode ser feito melhor, de modo mais produtivo, que tenha resultados mais assertivos e duradouros, não só em termos de métodos e processos de treinamento e formação, mas também em relação a usos e costumes da população como um todo. Mas é aquilo que falei anteriormente. Não devemos viver o futuro no dia de hoje, senão certamente seremos acometidos de uma ansiedade grande e essa sim será prejudicial na formação de todos, inclusive dos atletas.“

 

O Treinador Henrique Pereira já trabalhou no Uberlândia Esporte Clube e em várias equipes do Futebol Brasileiro.

 

(Foto: João Eduardo Jornalista e Assessor de Imprensa)

 

(Foto: João Eduardo Jornalista e Assessor de Imprensa)

 

(Foto: João Eduardo Jornalista e Assessor de Imprensa)

 

Fonte: João Eduardo Jornalista e Assessor de Imprensa

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